Ir para o con­te­ú­do
Vaccari Advocacia, Direito Imobiliário
Fa­lar so­bre meu imó­vel
Terreno com perímetro demarcado sobre planta de levantamento

Usucapião em Santa Catarina

Quem ocu­pa um imó­vel há anos, como se fos­se dono, pode ter di­rei­to ao re­co­nhe­ci­men­to da pro­pri­e­da­de, mes­mo sem es­cri­tu­ra. O ca­mi­nho de­pen­de do tem­po de pos­se, da do­cu­men­ta­ção e da si­tu­a­ção re­gis­tral.

Fa­lar so­bre meu imó­vel

O que é

Usu­ca­pi­ão é a aqui­si­ção da pro­pri­e­da­de pelo de­cur­so do tem­po. A lei re­co­nhe­ce que quem exer­ce a pos­se de um imó­vel de for­ma con­tí­nua, pa­cí­fi­ca e com âni­mo de dono, por de­ter­mi­na­do pe­rí­o­do, pode se tor­nar pro­pri­e­tá­rio.

Não se tra­ta de um fa­vor nem de uma re­gu­la­ri­za­ção ad­mi­nis­tra­ti­va co­mum: é um modo ori­gi­ná­rio de aqui­si­ção da pro­pri­e­da­de, com re­qui­si­tos pró­prios e pro­va es­pe­cí­fi­ca. O re­sul­ta­do é a aber­tu­ra ou a re­ti­fi­ca­ção da ma­trí­cu­la em nome de quem pos­sui.

Quando essa situação costuma aparecer

  • Ter­re­no ou casa ocu­pa­dos há dé­ca­das pela fa­mí­lia, sem es­cri­tu­ra e sem ma­trí­cu­la pró­pria.
  • Imó­vel com­pra­do por con­tra­to de ga­ve­ta, re­ci­bo ou ces­são, sem que a es­cri­tu­ra te­nha sido la­vra­da.
  • Área ru­ral ocu­pa­da e cul­ti­va­da há anos, cuja ma­trí­cu­la está em nome de ter­cei­ro ou de pes­soa já fa­le­ci­da.
  • Imó­vel que foi des­mem­bra­do de uma área mai­or de fato, mas nun­ca no re­gis­tro.
  • Lo­te­a­men­to an­ti­go, ir­re­gu­lar, em que os lo­tes nun­ca re­ce­be­ram ma­trí­cu­la in­di­vi­du­al.

Quais problemas podem surgir

  • Sem ma­trí­cu­la em nome do pos­sui­dor, o imó­vel não pode ser ven­di­do, hi­po­te­ca­do nem fi­nan­ci­a­do.
  • Em caso de fa­le­ci­men­to, a trans­mis­são aos her­dei­ros fica blo­que­a­da, por­que não há bem re­gis­tra­do a in­ven­ta­ri­ar.
  • A pos­se fica ex­pos­ta a dis­cus­são por ter­cei­ros, her­dei­ros do an­ti­go ti­tu­lar ou cre­do­res.
  • Não é pos­sí­vel ob­ter cré­di­to ru­ral, li­cen­ci­a­men­to ou de­ter­mi­na­das au­to­ri­za­ções sem tí­tu­lo.

Como fun­ci­o­na a aná­li­se

O caminho começa pela documentação

An­tes de de­fi­nir qual­quer es­tra­té­gia, é pre­ci­so en­ten­der o que o re­gis­tro diz, o que exis­te de fato e onde os dois se afas­ta­ram.

Verificação da cadeia dominial

Lei­tu­ra da ma­trí­cu­la, das aver­ba­ções e do his­tó­ri­co re­gis­tral para en­ten­der em nome de quem o imó­vel está e quais pen­dên­cias exis­tem.

Prova da posse

Le­van­ta­men­to de do­cu­men­tos que de­mons­tram a pos­se e seu tem­po: con­tas de con­su­mo, car­nês de tri­bu­tos, con­tra­tos, fo­to­gra­fi­as, de­cla­ra­ções.

Definição da modalidade

Cada mo­da­li­da­de de usu­ca­pi­ão tem pra­zo e re­qui­si­tos pró­prios. A es­co­lha de­pen­de do tem­po de pos­se, do uso do imó­vel e da exis­tên­cia ou não de jus­to tí­tu­lo.

Escolha da via

A via ex­tra­ju­di­ci­al, fei­ta em car­tó­rio, cos­tu­ma ser mais rá­pi­da, mas de­pen­de da con­cor­dân­cia dos con­fron­tan­tes e da re­gu­la­ri­da­de do­cu­men­tal. Ha­ven­do im­pug­na­ção, o ca­mi­nho pas­sa a ser ju­di­ci­al.

Documentos normalmente relevantes

Esta lis­ta é in­di­ca­ti­va. A do­cu­men­ta­ção ne­ces­sá­ria va­ria con­for­me a ori­gem do pro­ble­ma e a via es­co­lhi­da.

  • Ma­trí­cu­la atu­a­li­za­da do imó­vel ou cer­ti­dão ne­ga­ti­va de pro­pri­e­da­de
  • Plan­ta e me­mo­ri­al des­cri­ti­vo as­si­na­dos por pro­fis­si­o­nal ha­bi­li­ta­do, com ART ou RRT
  • Do­cu­men­tos que de­mons­trem o tem­po de pos­se (con­tas, car­nês, con­tra­tos, de­cla­ra­ções)
  • Do­cu­men­tos pes­so­ais e com­pro­van­te de es­ta­do ci­vil
  • Cer­ti­dões dos dis­tri­bui­do­res cí­veis
  • Iden­ti­fi­ca­ção e qua­li­fi­ca­ção dos con­fron­tan­tes

Se você não tem todos os documentos

É co­mum que par­te da do­cu­men­ta­ção es­te­ja in­com­ple­ta ou de­sa­tu­a­li­za­da, mui­tas ve­zes é jus­ta­men­te isso que ori­gi­nou o pro­ble­ma. A au­sên­cia de um do­cu­men­to não im­pe­de a aná­li­se ini­ci­al; ela ape­nas de­fi­ne quais se­rão as pri­mei­ras pro­vi­dên­cias.

Principais situações atendidas

  • Usu­ca­pi­ão ex­tra­ju­di­ci­al de imó­vel ur­ba­no
  • Usu­ca­pi­ão de imó­vel ru­ral
  • Usu­ca­pi­ão ex­tra­or­di­ná­ria, sem ne­ces­si­da­de de jus­to tí­tu­lo
  • Usu­ca­pi­ão or­di­ná­ria, com jus­to tí­tu­lo e boa-fé
  • Usu­ca­pi­ão fa­mi­li­ar en­tre ex-cônjuges ou ex-companheiros
  • Usu­ca­pi­ão de área des­mem­bra­da de gle­ba mai­or

Per­gun­tas fre­quen­tes

Dúvidas sobre usucapião

Quanto tempo de posse é necessário?

De­pen­de da mo­da­li­da­de. A usu­ca­pi­ão ex­tra­or­di­ná­ria exi­ge quin­ze anos, pra­zo que pode ser re­du­zi­do para dez anos se o pos­sui­dor ti­ver es­ta­be­le­ci­do mo­ra­dia ha­bi­tu­al no imó­vel ou nele re­a­li­za­do obras ou ser­vi­ços pro­du­ti­vos. Ou­tras mo­da­li­da­des têm pra­zos me­no­res e re­qui­si­tos adi­ci­o­nais. A de­fi­ni­ção de­pen­de da aná­li­se dos do­cu­men­tos.

É possível somar o tempo de posse de quem possuía antes?

Em de­ter­mi­na­das si­tu­a­ções a lei ad­mi­te a soma das pos­ses, des­de que con­tí­nu­as e de mes­ma na­tu­re­za. É um pon­to que pre­ci­sa ser ve­ri­fi­ca­do caso a caso, com base nos do­cu­men­tos dis­po­ní­veis.

A usucapião extrajudicial é sempre mais rápida?

Cos­tu­ma ser, por­que dis­pen­sa pro­ces­so ju­di­ci­al. Mas ela de­pen­de da con­cor­dân­cia dos con­fron­tan­tes e da re­gu­la­ri­da­de da do­cu­men­ta­ção. Ha­ven­do im­pug­na­ção de al­gum con­fron­tan­te, o pro­ce­di­men­to é en­cer­ra­do e a dis­cus­são pas­sa para a via ju­di­ci­al.

E se o proprietário registrado já faleceu?

Isso não im­pe­de a usu­ca­pi­ão, mas al­te­ra a for­ma de iden­ti­fi­car e no­ti­fi­car os in­te­res­sa­dos. É uma das si­tu­a­ções em que a aná­li­se pré­via da ca­deia do­mi­ni­al faz di­fe­ren­ça no pla­ne­ja­men­to do pro­ce­di­men­to.

Imóvel público pode ser usucapido?

Não. Bens pú­bli­cos não são pas­sí­veis de usu­ca­pi­ão. Por isso a ve­ri­fi­ca­ção da na­tu­re­za do imó­vel e da sua ori­gem re­gis­tral é fei­ta logo no iní­cio da aná­li­se.

Con­ta­to

Enviar mensagem pelo site

Des­cre­va a si­tu­a­ção e in­for­me a ci­da­de do imó­vel. A par­tir dos do­cu­men­tos é pos­sí­vel in­di­car qual ins­tru­men­to se apli­ca.

Para en­vi­ar, in­for­me ao me­nos o telefone/WhatsApp ou o e-mail. Os de­mais cam­pos são op­ci­o­nais.

O en­vio des­te for­mu­lá­rio não gera re­la­ção pro­fis­si­o­nal en­tre as par­tes, que de­pen­de de con­tra­to es­cri­to.

Áreas re­la­ci­o­na­das

Pró­xi­mo pas­so

Vamos analisar a situação do seu imóvel

O pri­mei­ro pas­so é en­ten­der o que cons­ta na ma­trí­cu­la e o que exis­te de fato. A par­tir daí é pos­sí­vel in­di­car o ca­mi­nho ade­qua­do.

Fa­lar so­bre meu imó­vel
Fa­lar so­bre meu imó­vel